San Tiago Dantas

Homem de Visão

IDÉIAS E RUMOS PARA A REVOLUÇÃO BRASILEIRA


Último discurso de San Tiago Dantas proferido pouco tempo antes de sua morte em solenidade na qual foi agraciado com o título de “Homem de Visão de 1963”, outorgado pela Revista Visão. Publicado originalmente na própria revista (Visão, 1963) e republicado em Revista Brasileira de História, 2004, vol. 24:47, pp. 329-338. SciELO – Scientific Electronic Library Online.


Desejo, em primeiro lugar, agradecer à Revista Visão, na pessoa de seu brilhante diretor Jorge Leão Teixeira, e ao seu ilustre corpo de jurados, a generosidade com que resolveram outorgar-me o título de “Homem de Visão de 1963”. Na sua própria enunciação, o título contém uma propositada ambiguidade. Uma ambiguidade, entretanto, isenta de malícia, porque ambos os sentidos que ele comporta são honrosos e, no meu caso, excedem os direitos que tenho de recebê-lo.

Se tomarmos “visão” como atributo do escolhido, quem poderá pretender ter sido o homem que “viu” — ou mesmo um dos que algo lograram divisar — na bruma ainda persistente deste 1963? E se tomarmos “Visão” como o nome consagrado da revista que há anos repete ousadamente esta escolha, que grande responsabilidade a deferir-lhe, principalmente quando ela hoje faz recair a sua preferência, não num homem cujas atitudes e opiniões têm contado com o aplauso de todos, ou de quase todos, mas que tem atraído, pelo contrário, polêmicas, discussões, e mesmo tempestades!

De outubro de 1961 a outubro de 1963, o homem agora escolhido recebeu aplausos e críticas dos mesmos grupos e setores de opinião, por atitudes que assumiu, atos políticos e administrativos que praticou, idéias que expendeu e palavras que proferiu, a ponto de se poder querer ver, na variedade dessas posições, ou incoerência ou versatilidade.

Creio que não me fica mal aproveitar a expressividade da reunião de hoje, em que observo e agradeço a presença de tantos homens representativos do país, para fazer de público o que até hoje nunca fiz: um ensaio de justificativa.

Creio que essa justificativa pode dar ensejo a que saiamos um pouco do culto à personalidade, para irmos ao encontro dos problemas, e sobretudo das opções, que se abrem ao nosso povo nesta época.

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